Governo de Pernambuco exonera servidor citado em denúncia sobre suposta estrutura de ataques políticos

Amisadai Andrade da Silva ocupava cargo de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco e foi citado em reportagem da TV Record sobre uma suposta rede de perfis contra João Campos

O Governo de Pernambuco exonerou, nesta quarta-feira (26), Amisadai Andrade da Silva do cargo comissionado de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, vinculada à Secretaria de Turismo e Lazer. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado por meio da Portaria nº 5003.

A saída do servidor ocorre um dia após uma reportagem exibida pela TV Record apontar a existência de uma suposta estrutura de páginas e perfis nas redes sociais que teria sido utilizada para produzir conteúdos e ataques políticos contra João Campos (PSB), candidato ao Governo de Pernambuco.

Segundo a reportagem, Amisadai teria relatado a existência da estrutura e afirmado que integrantes do grupo mantinham contatos com pessoas ligadas ao Governo do Estado. O material também levantou a suspeita de que páginas e perfis atuariam de maneira coordenada para prejudicar a imagem de João Campos e favorecer a governadora Raquel Lyra (PSD).

Amisadai é servidor da Caixa Econômica Federal e estava cedido ao Governo de Pernambuco. Antes da exoneração, ocupava a função de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco.

Publicidade oficial

A denúncia também levantou questionamentos sobre possíveis pagamentos a veículos digitais por meio de contratos de publicidade do Governo de Pernambuco.

Entre os veículos mencionados na reportagem está o Portal de Prefeitura, que, segundo a Record, teria recebido mais de R$ 600 mil em contratos de publicidade. O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Comunicação, afirmou que a publicidade oficial é executada por agências contratadas mediante licitação e que a escolha dos veículos segue critérios técnicos, como audiência, alcance e custo.

Ainda de acordo com a Secretaria de Comunicação, os valores destinados em 2026 ao veículo citado representam cerca de 0,3% do investimento permitido ao Estado em publicidade no período. O governo também afirmou que os pagamentos dependem da comprovação da veiculação e estão disponíveis no Portal da Transparência.

O Portal de Prefeitura também se manifestou sobre o caso e negou fazer parte de qualquer estrutura denominada “gabinete do ódio”. A empresa informou que Amisadai deixou o quadro societário em 2024 e, desde então, não representa nem responde pelo portal.

Raquel Lyra nega acusações

Após a repercussão da denúncia, a governadora Raquel Lyra confirmou a exoneração de Amisadai e afirmou que serão adotadas as medidas cabíveis.

Raquel também negou as acusações relacionadas à existência de uma estrutura de ataques políticos dentro do governo e declarou que pretende conduzir uma campanha “limpa” e transparente.

“Tenho notícia do que foi falado, mas acredito que não devemos nos contaminar com informações falsas, mas medidas cabíveis serão tomadas”, afirmou a governadora durante agenda no Recife.

João Campos reage

João Campos, por sua vez, afirmou que denuncia há mais de um ano a existência de uma estrutura que, segundo ele, seria responsável por ataques contra sua atuação política, familiares e aliados.

O candidato declarou que seus advogados deverão tomar medidas judiciais sobre o caso e classificou a suposta estrutura como criminosa.

Até o momento, as acusações apresentadas na reportagem são objeto de investigação e disputa política. O Governo de Pernambuco nega a existência de um “gabinete do ódio” e contesta as acusações.

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