
O Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS), vinculado ao Ministério da Saúde, encaminhou à Polícia Federal em Pernambuco o Relatório Final de Auditoria nº 20034, que analisou serviços prestados pela Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco.
O encaminhamento consta no Ofício nº 23/2026/DENASUS/MS, datado de 27 de agosto de 2026 e assinado pelo diretor do departamento, Rafael Bruxellas Parra. O documento foi destinado à superintendente regional da Polícia Federal em Pernambuco, Adriana Albuquerque de Vasconcelos, para conhecimento e adoção das providências consideradas cabíveis.
De acordo com o ofício, a auditoria teve como unidade visitada a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, identificada no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) pelo número 2639009. O trabalho teve como objetivo verificar possíveis irregularidades na execução de serviços contratualizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pela gestão estadual, além do cumprimento de requisitos operacionais e estruturais exigidos para serviços especializados.
Entre as áreas abrangidas pela auditoria estão os serviços de atenção especializada em doença renal crônica com hemodiálise e diálise peritoneal, assistência de alta complexidade em oncologia e Unidade de Terapia Intensiva Adulto (UTI) Tipo II. O período analisado pelo DenaSUS compreendeu de 1º de janeiro de 2023 a 31 de julho de 2025.
O hospital tem entre seus sócios Jorge Branco Neto, marido da vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD). A relação societária e os contratos mantidos pela unidade com o poder público estadual já foram mencionados em reportagens sobre a auditoria realizada pelo DenaSUS.

Segundo informações divulgadas a partir do relatório de auditoria, o DenaSUS identificou questionamentos relacionados à comprovação de procedimentos realizados pelo hospital e apontou valores considerados indevidos, estimados em aproximadamente R$ 905 mil. Entre os achados divulgados estão inconsistências em Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs), além de questionamentos envolvendo procedimentos de oncologia e hemodiálise.
Também foram divulgadas informações de que a auditoria avaliou R$ 55,8 milhões em recursos federais destinados aos serviços analisados. O relatório teria apontado inconsistências em 113 autorizações de internação, relacionadas à documentação disponível nos prontuários, além de questionamentos sobre 90 sessões de hemodiálise.
O ofício do DenaSUS, entretanto, não apresenta esses números detalhados. O documento oficial limita-se a encaminhar o Relatório Final de Auditoria nº 20034 à Polícia Federal e informa que o trabalho teve como finalidade verificar possíveis irregularidades nos serviços contratualizados pelo SUS.

Encaminhamento à PF
No documento, o DenaSUS não determina a abertura de uma investigação criminal. O órgão encaminha o relatório à Polícia Federal para conhecimento e para que sejam adotadas as providências que a instituição considerar cabíveis.
O ofício também registra que o documento foi assinado eletronicamente por Rafael Bruxellas Parra em 28 de agosto de 2026. A tramitação está vinculada ao processo SEI nº 25000.178109/2025-49.
A auditoria e seus apontamentos já foram contestados pela unidade hospitalar e pela Secretaria de Saúde de Pernambuco, que, segundo informações divulgadas anteriormente, questionam as conclusões do relatório e afirmam que pretendem apresentar ou utilizar documentação para contestar os apontamentos.
Fonte: Ofício nº 23/2026/DENASUS/MS, do Ministério da Saúde, e informações públicas sobre o Relatório Final de Auditoria nº 20034.





















