
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco suspendeu a pesquisa do Instituto Veritá divulgada na última semana, que apontava liderança da governadora Raquel Lyra na disputa eleitoral deste ano. A decisão foi tomada após a Justiça identificar uma série de irregularidades metodológicas consideradas capazes de comprometer a credibilidade do levantamento.
O pedido de suspensão foi apresentado pelo MDB, partido integrante da Frente Popular de Pernambuco, que questionou falhas estruturais na metodologia utilizada pela empresa. Entre os pontos destacados está a impossibilidade de execução do método de Probabilidade Proporcional ao Tamanho (PPT), informado no registro da pesquisa. Segundo a ação, nenhuma das 26 perguntas aplicadas pelo instituto coletou informações sobre bairros dos entrevistados, embora o relatório garantisse ter ouvido eleitores em todos os bairros das cidades pesquisadas.
A decisão também aponta ausência de informações fundamentais, como o quantitativo de eleitores entrevistados em cada setor censitário, o que, segundo o TRE, compromete a validade do registro da pesquisa eleitoral.
Na decisão, o desembargador Marcelo Labanca Corrêa de Araújo afirmou que os indícios apresentados demonstram, “em juízo preliminar e não exauriente”, descumprimento das exigências previstas na legislação eleitoral, citando a Resolução do TSE nº 23.600/2019 e a Lei nº 9.504/1997.
O magistrado determinou a suspensão da divulgação da pesquisa no prazo de até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, além da retirada de publicações relacionadas aos números em plataformas ligadas à Meta.
O Instituto Veritá já havia sido alvo de outra suspensão em abril, também por questionamentos relacionados à metodologia aplicada em levantamentos eleitorais em Pernambuco.